quarta-feira, 6 de agosto de 2025

P0rn0de Agosto


GUERRA E PAZ — Crônica Vaticana da Semana


Por nosso correspondente no Palácio de São Calisto

Passado o primeiro mês do novo pontificado — tempo fértil em pompas, bulas e boatos —, Roma enfim respirou uma semana de aparente paz. Os sinos soaram com a previsibilidade de sempre, os cardeais retomaram suas caminhadas digestivas pelo Janículo, e o Cardeal Decano voltou a reclamar do café do Palácio Apostólico. Um breve suspiro de normalidade pairava sobre os telhados da Cidade Eterna. Mas como bem sabem os leitores desta folha, no Vaticano, paz raramente é ausência de guerra — apenas a disfarça melhor.

O primeiro abalo veio de Queluz, onde, com discrição quirúrgica, foi anunciado o nome do novo coadjutor da arquidiocese: ninguém menos que Dom Pablo Maxi, até então Núncio Apostólico e conhecido antagonista do atual ordinário, Dom Miguel Cardeal Dolezzio. Maxi, que por anos agiu como voz dissonante nas deliberações regionais, agora retorna à cena episcopal com poderes progressivos de sucessão. A movimentação, embora redigida em tons pastorais e fraternos, foi interpretada por observadores atentos como um xeque-mate elegante do Vaticano, uma forma de reacender a chama — ou pelo menos o debate — naquela combalida arquidiocese onde os fiéis já haviam se resignado a homilias mornnovenas de intenções vagas.

Enquanto isso, outro retorno agitou as colunas dos claustros: Dom Apolônio Moresi, outrora exilado na controversa Diocese de Belém — cuja canonicidade, diga-se, ainda figura em rodapés e rodapias —, reapareceu em Roma com velocidade que surpreendeu a uns e confirmou as desconfianças de outros. Poucos dias após a transferência de Maxi, o nome de Moresi já constava na nova lista diplomática da Secretaria de Estado, nomeado como novo Núncio Apostólico. Coincidência? Providência? Ou apenas aquela velha dança curial em que as cadeiras trocam de mãos enquanto os olhos permanecem atentos às cortinas?

Assim se passou a semana: sem batalhas à vista, mas com generais em manobra. O Vaticano segue em paz — mas talvez seja só o tipo de paz que precede a próxima sessão do Sínodo. A julgar pelos últimos movimentos, as verdadeiras guerras da Igreja ainda se travam no silêncio das nomeações.